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16/02/2016 08:00

A microcefalia e a importância da estimulação precoce

A microcefalia é uma malformação congênita que, segundo a Organização Mundial de Saúde (2015), caracteriza-se pela medição ao nascer do perímetro cefálico inferior ao esperado, quando comparada a crianças da mesma idade e do mesmo sexo, ou seja, com o tamanho da cabeça significativamente abaixo da média (circunferência menor que 32 centímetros). A maioria dos casos de microcefalia é acompanhada de disfunções motoras e cognitivas, que variam de acordo com o grau de acometimento cerebral. Em geral, as crianças apresentam atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, com alterações motoras e cognitivas relevantes e, em alguns casos, as funções sensitivas (audição e visão) também são comprometidas. Desta forma, prejudica a autonomia e a qualidade de vida da criança, podendo comprometer a sua locomoção, aprendizagem e seu futuro como um todo. A microcefalia está preocupando o Brasil e o mundo visto que, nos últimos meses, a sua notificação vem crescendo assustadoramente. As causas da microcefalia podem ser genéticas ou ambientais, nomeadamente fatores como desnutrição, infeções e exposição à álcool, drogas ou radiações na gravidez. Porém, mais recentemente, foi ventilada a associação ao vírus zika, onde mulheres picadas pelo Aedes aegypti - mosquito que transmite a doença - até os seis meses de gravidez parecem ter maior probabilidade de ter bebês com esta malformação, mas os três primeiros meses é sempre o período mais crítico. Dependendo, obviamente, do grau de microcefalia e de lesão, a criança necessitará de programas de intervenção precoce, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, todas baseadas na estimulação durante o processo de reabilitação da mesma. O Ministério da Saúde publicou, recentemente, oProtocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika, que orienta o atendimento desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança com microcefalia, em todo o País. O planejamento prevê a mobilização de gestores, especialistas e profissionais de saúde para promover a identificação precoce e os cuidados especializados da gestante e do bebê. Este protocolo define também diretrizes para a estimulação precoce dos nascidos com microcefalia. Todas as crianças com esta malformação congênita confirmada deverão ser inseridas no Programa de Estimulação Precoce, desde o nascimento até os três anos de idade, período em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente, pois este visa à maximização do potencial de cada criança, englobando o crescimento físico e a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva, que poderão ser prejudicados por esta patologia.
A implementação de práticas de intervenção precoce vem ajudar a família a encontrar o seu equilíbrio hemodinâmico, face a uma nova dinâmica familiar, resultante da existência de uma criança de risco estabelecido. Na verdade, as neurociências dão sustentabilidade ao trabalho de apoio e parceria com a família. A metodologia de intervenção pressupõe apoiar a família no sentido de encontrar sinergias que ajudem a melhorar os contextos de vida da criança, promovendo estratégias adequadas ao desenvolvimento da mesma, maximizando o potencial de cada criança inserida no programa por meio da estimulação em âmbito ambulatorial e também em seu ambiente natural, estabelecendo o tipo, o ritmo e a velocidade dos estímulos e designando, na medida do possível, um perfil de reação, potencializando também a contribuição dos pais ou responsáveis, de modo que eles interajam com a criança de forma a estabelecer mutualidade precoce na comunicação e afeto, prevenindo o advento de distúrbios emocionais e doenças cinestésicas, na busca de promover um ambiente favorável para o desempenho de atividades que são necessárias para o desenvolvimento da criança e  de oferecer orientações aos pais e à comunidade quanto às possibilidades de acompanhamento desde o período neonatal até a fase escolar da mesma.