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19/04/2016 10:00

A Importância da Espiritualidade e Religiosidade aplicada ao paciente em Unidade de Terapia Intensiva

Atualmente, profissionais de saúde, pesquisadores e a população em geral, têm valorizado e reconhecido a importância da dimensão espiritual e/ou religiosa na saúde. A prática da assistência à saúde das pessoas que envolvem o campo da espiritualidade humana  tem despertado grande interesse da sociedade, pois estudos científicos evidenciam a relevância no enfrentamento frente ao acometimento de doenças bem como a  adesão ao tratamento, principalmente aos doentes crônicos ou terminais.

O termo espiritualidade deriva do latim spiritus que significa “a parte essencial da pessoa que controla a mente corpo”.

A espiritualidade está afeita a questões sobre o significado e o propósito da vida, com a crença em aspectos espiritualistas para justificar sua existência e significados. Espiritualidade poderia ser definida como uma propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível: um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que pode ou não incluir uma participação religiosa formal.

Religião pode ser definida como um conjunto de crenças e práticas desenvolvidas no seio de uma comunidade, com rituais nos quais o ser humano aproxima-se do sagrado. Geralmente suas bases fundamentam-se em textos e ensinamentos que tentam transmitir ao homem conhecimentos sobre a vida, a morte, bem como a natureza das coisas do mundo e como todos devem se portar seguindo determinada conduta moral, conservando o senso de responsabilidade entre as pessoas.

Convém definir que a religiosidade e a espiritualidade, apesar de relacionadas, não são claramente descritas como sinônimos. A religiosidade envolve sistematização de culto e doutrina compartilhados por um grupo.  

O exercício de atividades espirituais (a oração e outros rituais por exemplo) podem influenciar, psicodinamicamente, através de emoções positivas (como a esperança, o perdão, a autoestima e o amor) sugerindo que tais emoções podem ser importantes para a saúde , em termos de possíveis mecanismos psiconeuroimunológicos e psicofisiológicos.

A Unidade de Terapia Intensiva é um local marcado pela complexidade de cuidados, envolto de certezas e incertezas acerca da situação de saúde/doença do paciente internado. Apesar de ser considerado o melhor ambiente para recuperação dos pacientes em estado crítico ou grave, o ambiente de UTI é visto como frio agressivo e traumatizante envolvendo o paciente, a família deste e também a equipe multiprofissional. Na UTI, os profissionais se voltam apenas para o corpo, os procedimentos técnicos, a utilização de equipamentos e a manifestação orgânica da doença. Os sentimentos e aspectos relacionados à espiritualidade acabam sendo ignorados, os quais poderiam contribuir, direta ou indiretamente, para atender às necessidades mais importantes do paciente.

A espiritualidade pode ser um aspecto importante para quem vivencia uma doença grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou está próximo da morte, visto que auxilia no enfrentamento e na aceitação da dor e do sofrimento, ao imprimir algum significado a eles. Um bom relacionamento com Deus ou a crença em um poder superior permite ao doente e sua família o entendimento e a aceitação do sofrimento humano, independente da crença religiosa professada.

Religião e espiritualidade podem estar presentes no momento de uma situação de hospitalização em uma UTI em razão do medo do desconhecido e do desfecho. Os mecanismos utilizados no enfrentamento podem se manifestar por meio de gestos, palavras ou acessórios religiosos, tais como: o terço e a bíblia.

De maneira geral, a constatação da espiritualidade e religiosidade como sendo uma importante dimensão na vida das pessoas vem dando à temática, mesmo diante da complexidade do assunto, um crescente reconhecimento e atenção por parte dos pesquisadores e constantes esforços para integrá-la na prática clínica uma vez que a vivência da espiritualidade e da atitude religiosa favorece o cuidado humanizado, holístico, a compreensão do paciente, familiares e profissionais, para o enfrentamento da doença, das possibilidades terapêuticas e da terminalidade.

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