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17/05/2016 09:50

A importância dos profissionais da área de saúde na redução da resistência bacteriana

Há séculos que as bactérias patogênicas vêm causando patologias nos seres humanos. Essas doenças podem ser adquiridas na comunidade ou no ambiente hospitalar. De um modo geral, as infecções hospitalares são causadas por patógenos mais resistentes aos fármacos utilizados no combate as mesmas.

Vários são os mecanismos desenvolvidos pelas bactérias para torna-las resistentes aos antibióticos utilizados no mundo inteiro. Entre esses se podem destacar a expressão de enzimas por parte das bactérias (β-lactamases produzidas por S. aureus, tornando essa bactéria resistente à penicilina G e ampicilina), outros mecanismos envolvem alterações nos canais de porina (proteínas presentes na membrana externa das bactérias Gram negativas. Essas alterações podem desencadear resistência das cepas de Pseudomonasaeruginosa). Alterações nas proteínas de ligações das penicilinas - PBPs (essas proteínas representam o alvo de ação dos β-lactâmicos – penicilinas, cefalosporinas, carbapenéns e aztreonam – e, portanto, alterações nessas proteínas pode desencadear resistência da bactéria a todos os β-lactâmicos, como se observa na Klebsiellapneumoniaecarbapenemase – KPC).

Diante do crescimento constante dos processos de resistência bacteriana, em 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório destacando o problema de resistência bacteriana. Segundo a OMS as bactérias estão se tornando cada vez mais resistentes e, consequentemente, mais difíceis de serem combatidas. A OMS destacou algumas bactérias que merecem maior preocupação no mundo inteiro em decorrência do processo de resistência ocorrer de forma rápida e crescente: E. coli, Klebsiellapneumoniae, Staphylococcus aureus, Streptococcuspneumoniae, Neisseriagonorrhoeae.

A OMS menciona nesse relatório dois fatores importantes que merecem atenção especial. A falta de lançamentos de antibióticos de classes diferentes e que atuam por mecanismos distintos das drogas presentes no mercado e a atuação dos profissionais da área de saúde.

Com relação ao desenvolvimento de novas drogas antibacterianas, trata-se de um processo mais complexo e difícil de acontecer, principalmente, no Brasil onde os investimentos em pesquisa são reduzidos. Mas, com relação a alterações de condutas por parte dos profissionais da área de saúde, isso é possível de ser feito em qualquer país do mundo. Assim, o médico deve ficar atento para prescrever o antibiótico mais adequado e combater uma determinada infecção, na dose correta e no tempo necessário. Os enfermeiros podem lavar as mãos de forma adequada antes e após a execução de procedimentos nos pacientes. O farmacêutico pode atuar em conjunto com os médicos na escolha da melhor opção antimicrobiana para tratar uma determinada infecção. O fisioterapeuta pode realizar as trocas dos filtros do respirador mecânico de forma periódica e estimular a coleta do lavado traqueal para realização de cultura, possível isolamento de bactérias, realização de antibiograma e instituição da antibioticoterapia de forma rápida e precoce.

Diante dessa situação, é extremamente importante a discussão desse tema e a abordagem da forma adequada, instruindo os discentes dos cursos da área de saúde no que diz respeito a importância desses futuros profissionais na redução e no combate a resistência bacteriana.