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01/12/2016 09:00

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e sua aplicabilidade

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), foi instituída em 2001 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com múltiplas finalidades em diferentes áreas da saúde que reflete uma abordagem do desempenho funcional de uma pessoa influenciada pelas características dos contextos físico, social e atitudinal, sendo endossada como o padrão internacional para descrever e mensurar a saúde e a incapacidade.

Segundo a CIF, a incapacidade e a funcionalidade são vistas como resultados de interações entre estados de saúde (doenças, distúrbios e lesões) e fatores contextuais intrínsecos e extrínsecos (OMS, 2003; RUARO et.al, 2012).

Fonte: OMS, WHO, ICF, 2003.

Em se tratando de ser um arcabouço metodológico da OMS, a CIF traz uma classificação dos domínios de saúde e assuntos afins, onde estes domínios são classificados sob as perspectivas do corpo, do indivíduo e da sociedade, através de duas listas: uma lista das funções e estruturas do corpo, e outra que trata dos domínios referentes à atividade e à participação. Considerando que a funcionalidade e a incapacidade de um indivíduo ocorre dentro de um contexto, a CIF também inclui uma lista de fatores ambientais (em sentido amplo) (ARAÚJO, 2011).

É importante considerer que a CIF é aplicada a todas as pessoas, pois se reconhece que cada ser humano pode sofrer um decréscimo de saúde e, portanto, terá que enfrentar algum grau de incapacidade, além  de elucidar que as pessoas não são as unidades de classificação, isto é, a CIF não classifica as pessoas, mas descreve a condição de cada pessoa contextualizada em uma escala de domínios de saúde.

Com o aumento da prevalência de enfermidades crônicas, instrumentos têm sido criados para diferenciar o estado de saúde de pessoas com as mesmas doenças. Isso quer dizer que as mesmas doenças causam repercussões diferentes nos indivíduos. E este processo se dá, possivelmente, não só pela  presenca da doença em si, mas também pela influência do contexto no qual o indivíduo vive. Ou seja, percebe-se a necessidade de uma visão ampliada, de um modelo multidirectional proposto pela classificação como modelo de funcionalidade e não, centralizada na doença.

A aplicabilidade da CIF é bastante vasta; além de sua aplicação em uma gama de situações de saúde e incapacidade em níveis nacionais e internacionais, outras áreas de aplicação incluem: usos clínicos e epidemiológicos; políticas sociais e diversas pesquisas, podendo ser utilizada por setores como seguros, previdência social, trabalho, educação, economia, política social, desenvolvimento geral de legislação e modificação ambiental

Desta forma, a CIF é  um instrumento que permitirá, em um futuro próximo, sistematizar as impressões de diversos profissionais e estudiosos sobre a saúde funcional dos indivíduos, fornecendo dados sobre diagnóstico, prognóstico, tomadas de decisões sobre a assistência, entre outras. Seu uso adequado poderá servir para atender diversas necessidades sociais e de saúde da população brasileira por meio de informações que possam nortear as políticas públicas (ARAÚJO, 2011).

Para tanto, faz-se necessário que o profissional, além do docente da saúde recebam treinamentos específicos para aprender a utilizer a CIF e que o acadêmico já perceba a importância de adquirir conhecimento a cerca desta classificação e sua aplicabilidade.

ARAÚJO, E. S. Manual de utilização da CIF em Saúde Funcional. Sâo Paulo: Andreolli, 2011.

OMS Organização Mundial da Saúde. CIF;Classificação Internacional de funcionalidade Incapacidade e SaúdeCentro Colaborador  da Organização da Saúde para a família de classificações internacionais ,org.;coordenação  da tradução Cássia Maria Buchalla.São Paulo:EDUSP, 2003.

RUARO. J. A.et.al.Panorama e perfil da utilização da CIF no Brasil – uma década de história. Revista Brasileira de Fisioterapia.v.16, n.6, p.454-462,2012.

*Este artigo foi feito em parceria com o acadêmico do 7º período do Curso de Graduação em Fisioterapia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, Marcos Veiga.