Artigos

SIGA NOSSO

20/03/2017 14:00

O cuidado à Pessoa com Síndrome de Down

A Síndrome de Down (SD) foi descrita clinicamente e publicada pela primeira vez em 1866 por Langdon Down, sendo também conhecida por trissomia do par 21, por ser uma alteração genética que tende a provocar modificações no desenvolvimento físico e intelectual do indivíduo que a possui,

Sendo uma ocorrência genética natural e universal, está presente em todas as etnias e classes sociais. No Brasil, estima-se que haja mais de 200 mil pessoas com a síndrome. Não é correto dizer que uma pessoa é portadora, sofre de, é vítima de, padece ou é acometida por Síndrome de Down. O correto seria dizer que a pessoa tem ou nasceu com síndrome de Down. Pessoas com síndrome de Down têm rompido muitas barreiras e apresentado grandes avanços. Em todo o mundo, e também no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e chegando à universidade.

O dia internacional da SD foi escolhido pela Organização Síndrome de Down em 2006 em alusão aos três cromossomos do par 21 e, por ser um dos países mais empenhados para promover esta data, em 2010, o governo brasileiro solicitou que o 21 de março (21/3) entrasse no calendário oficial da ONU, o que aconteceu no ano seguinte. Esta data torna-se importante na luta da garantia dos direitos destas pessoas, além de celebrar a vida destas e dar à voz às mesmas.


Constituindo a anomalia genética mais comum em recém-nascidos, resulta em implicações relacionadas ao desenvolvimento psicomotor, além das características físicas e deficiência intelectual, determinando que os indivíduos com SD são uma população muito representativa e com necessidades muito particulares (COSTA, 2011).

Quanto ao diagnóstico, existe a possibilidade de se detectar sinais da SD em exame pré-natal ou após o nascimento, a partir da percepção de uma série de alterações que, em conjunto, caracterizam a síndrome (hipotonia, olhos levemente puxados e uma única linha na palma da mão são alguns exemplos), indicando um possível diagnóstico. Para uma confirmação precisa, é necessário realizar um exame denominado cariótipo, que consiste na representação dos cromossomos de uma célula (ALVES, 2011).

A possibilidade de nascer uma criança com SD aumenta principalmente com o avanço da idade materna: em torno dos 20 anos é de 1:1500, subindo para 1:380 aos 35 anos e para quase 1:28 aos 45 anos (MATOS et al., 2007).

A criança com SD tem maior probabilidade de apresentar um comprometimento de saúde em virtude das alterações congênitas e das predisposições características da síndrome. Este comprometimento pode afetar o coração, os pulmões, a coluna cervical, a produção de hormônios, a visão e a audição (BARATA; BRANCO, 2010).

Possui ainda o desenvolvimento motor alterado por diversos fatores, tais como genéticos, dificuldades de integração perceptiva, cognitiva e proprioceptiva, além de terem um desenvolvimento mais lento, poisalém da alteração motora,apresenta comprometimento intelectual e de linguagem. No entanto, as possibilidades motoras das crianças evoluem amplamente de acordo com sua idade e chegam a ser cada vez mais variada, complexas ou completas, ou seja, reflete de uma ampla diversidade de fatores, que ocorre desde a alteração genética até as dificuldades particulares vivenciadas por cada uma delas (ARAÚJO; SCARTEZINI; KREBS, 2007).

A estimulação que a criança recebe nos seus primeiros anos de vida, constitui a base do seu desenvolvimento futuro. É importante ressaltar que cada uma tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que deve ser percebido e respeitado e apresentará o desenvolvimento neuropsicomotor de forma individual. O que importa é respeitar a individualidade da criança e determinar a linha de tratamento a partir disso (MATOS et al., 2007).

Desta forma, Brasil (2012) recomenda que o cuidado com a saúde da pessoa com SD seja norteado pelas políticas públicas do Ministério da Saúde como a Política Nacional de Humanização, Política Nacional da Atenção Básica, Programas de Saúde da Criança e do Adolescente, Saúde da Mulher, do Homem, do Idoso, Saúde Mental e no Relatório Mundial sobre a Deficiência. E ainda, que utilize os pressupostos teóricos da clínica ampliada, da integralidade e do cuidado compartilhado, com vistas à humanização, autonomia e protagonismo dos sujeitos nas práticas de saúde. Neste sentido, a clínica ampliada busca articular estes enfoques, reunindo os diferentes saberes com o objetivo de garantir o melhor resultado no cuidado, por meio da acolhida, do diálogo e da participação do sujeito no processo terapêutico.

REFERÊNCIAS:

ALVES, Fátima. Para entender a síndrome de Down. 2. ed, Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.

ARAÚJO A.G.S., SCARTEZINI C. M., KREBS R. J. Análise de marcha em crianças portadoras de Síndrome de Down e crianças normais com idade de 2 a 5 anos. Fisioterapia e Movimento, v.3, n. 20, p. 79- 85, 2007.

BARATA, L. F. & BRANCO, A.  Os distúrbios fonoarticulatórios na Síndrome de Down e a intervenção precoce. Revista CEFAC, v.12, n.1, p. 134-39, 2010.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com Síndrome de Down / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012.

COSTA, L.N. Inclusão escolar de um aluno com Síndrome de Down: estudo de caso. 2011. 56 f. Monografia (Especialização em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão) Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde PGPDS, Universidade de Brasília-UnB, Brasília, 2011.

MATOS, S. B.; SANTOS, L. C.; PEREIRA, C. S.; BORGES, K. S. Síndrome de Down: avanços e perspectivas. Revista Saúde Com, v.3, n.2, p.77-86. 2007.