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03/05/2017 15:00

Baleia Azul

O mundo tem assistido estarrecido ao drama de algumas famílias que perderam seus filhos para um jogo que aparentemente parece inofensivo. O jogo da baleia azul, criado inicialmente na Rússia, logo se alastrou como fogo em folha seca e ocupou espaço em todo o mundo. Consiste em uma lista de desafios impostos, principalmente a adolescentes e pré-adolescentes, que são obrigados a cumprir as tarefas do jogo, sob pena de seus familiares serem mortos, caso não atinjam os objetivos. São ao todo 50 tarefas, na grande maioria arriscadas, danosas, aonde o participante chega a se mutilar, como desenhando a baleia com estilete no corpo. O ápice vem na última fase, quando o jovem comete o suicídio.

A questão é muito grave.

A baleia azul é somente a ponta do iceberg, apenas retrata a real fragilidade da saúde mental de nossa sociedade, que frequentemente é mascarada devido ao preconceito da doença psíquica e ao medo do tratamento, seja ele psicoterápico ou medicamentoso. Podemos chamar isso de psicofobia, que é tema de campanha da ABP, Associação Brasileira de Psiquiatria, a qual luta pelo fim da discriminação do portador de transtornos mentais. 

É comum da adolescência os questionamentos sobre morte e vida e a necessidade de inserção em grupos de seus semelhantes, por isso são presas fáceis para esse tipo de armadilhas. Não é novidade também o culto à melancolia. A literatura nos remete a autores como nosso conterrâneo Augusto dos Anjos, marcado pela melancolia presente em suas obras. Para Sigmund Freud, a melancolia é um sentimento parecido com o luto, mas se caracteriza pelo desconhecimento do melancólico a respeito do objeto perdido. A origem da melancolia da poesia de Augusto dos Anjos estaria, para alguns críticos, em reflexões de influências política com os problemas de sua família, e num conflito edipiano de sua infância. 

Se formos nos transportar aos dias atuais, talvez encontremos uma luz para a explicação da epidemia do jogo supracitado. As famílias cada vez mais distantes de seus filhos, mães mais preocupadas com dietas e pais se ocupando com que ostentar, podem ser o objeto perdido não reconhecido dos jovens que se identificam com a atividade online. Portanto, é necessário verificar como está o relacionamento com meu filho. E quando digo isso, me refiro a desde o instante em que nasceu. Criança não é um adulto em miniatura e sim um ser em formação que está sob a influência dos aspectos ambientais e emocionais dos pais e do mundo para a formação de sua personalidade.

Então fica dado o recado: seu filho precisa de você, do seu amor, da sua atenção e vigiar, cuidar dos filhos é uma necessidade real.