Setembro Amarelo - Uma campanha pela vida


02/09/2019 13:54

O mês de setembro fica amarelo para marcar a luta contra um problema de saúde mundial: o suicídio. A Organização Pan-Americana da Saúde/ Organização Mundial da Saúde (OPA/OMS) alerta que o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo, e a cada três segundos uma pessoa atenta sobre a própria vida no mundo. O Brasil já é o oitavo país em número absoluto de suicídios.

Segundo o psiquiatra e professor da Ciências Médicas Caio Uehara a grande maioria das pessoas que pensam no suicídio não querem acabar com a vida. “Os indivíduos que pensam na morte como uma possível solução não estão pensando em acabar com a vida, na realidade eles querem acabar com o sofrimento daquele momento que é intolerável”, conta.

 

Fatores de risco

Para o psiquiatra Caio Uehara existem sinais de alerta que precisam ser observados para evitar o suicídio. “São alguns pontos que avisam que a gente tem que ter um cuidado maior com aquela pessoa. E alguns fatores de riscos são: O homem tem uma taxa quatro vezes maior do que a mulher de suicídio completo; o estado civil também influencia, se o individuo é solteiro, viúvo, ou acabou de romper um relacionamento, se torna um fator de risco; pertencer a minorias, como indígenas e lgbts, por toda carga de preconceito existente ainda hoje; a presença de doenças psiquiátricas, sejam elas tratadas ou não; as doenças físicas em si, principalmente as crônicas que dão alguma limitação; traumas de infância, não só os abusos, mas a falta de atenção e contato visual também; e também a questão da gravidez não planejada, e principalmente não aceita”, pontua.

 

Fique atento aos sinais

Caio afirma ainda que é importante ficar atento aos sinais da pessoa que decide suicidar-se. “Essa pessoa pode ser aquele que passou a interagir mais com você, porque ele já tem um planejamento feito do que vai fazer; ele não liga mais para como vai se vestir e para questões de relacionamentos pessoais; às vezes passam a adotar o comportamento de dar os seus pertences, ou começar a entrar em contato com pessoas que não tinham mais contato; frequentemente ele vai conversar sobre a morte e procurar literaturas e filmes sobre a temática. Se você tiver a sensibilidade, às vezes, irá conseguir identificar que é um pedido de ajuda”, afirma.

 

O que não falar

O psiquiatra conta que algumas frases ditas por pessoas próximas, até mesmo com a intenção de ajudar, podem ser prejudiciais nesse momento mais difícil. “’Pensa positivo a vida é tão boa, porque você está assim?’, ‘Você tem tudo na vida, para quê pensar na morte?’, ‘Nossa, já passei por isso tantas vezes e consegui me dar super bem com isso’, ‘Quantas pessoas não estão passando por isso e estão aí’. Para quem recebe essa fala é muito prejudicial, devemos sim conversar sobre, mas ter cuidado com o tipo de fala, para não machucar mais ainda um individuo que já está fragilizado”, pontua.   

 

Busque ajuda!

O Centro de Valorização da Vida - CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O contato pode ser realizado por telefone - Disque 188, email e chat - www.cvv.org.br (24h por dia).

Também é possível buscar ajuda nos serviços de saúde: CAPS e Unidades de Saúde. Em casos de emergência acionar SAMU (192), UPA, Pronto Socorro e Hospitais.