SETEMBRO AMARELO - Alunos se mobilizam em palestra sobre o suicídio


26/09/2018 13:27

Na tarde de ontem, 25 de setembro, aconteceu a ação “Vamos falar sobre isso?”, com uma palestra de conscientização sobre o tema “Suicídio: Da graduação a prática médica”, ministrada pelo professor e psiquiatra Caio Uehara. Também esteve presente a professora e psiquiatra Raquel Mendes. Este momento foi organizado pelos alunos participantes da IFMSA – Brazil (Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina), no Anexo de Medicina da Faculdade.

 

Importância da ação

Vinicius Santos é aluno do 7º período do curso de Medicina e membro do comitê local da Ciências Médicas no IFMSA – Brazil e fala da importância de estar discutindo essa temática na Faculdade. “A IFMSA, é uma federação de estudantes que visa fomentar no aluno esse engajamento para questões externas ao curso. Então, quando a gente traz uma palestra como a de hoje, sai da correria que estamos habituados de aulas e provas, fazendo com que se abra a perspectiva do estudante para coisas maiores que a Medicina pode proporcionar, além de auxiliá-lo em questões tão firmes na sociedade como Setembro Amarelo. E a gente vê hoje em dia muitos casos de estudantes com depressão e até tentando o suicídio, e é importante fazer com que eles se engajem em algo além da academia e também se beneficie dessas ações”, conta.

 

Problema de saúde pública

Segundo Caio Uehara o suicídio no Brasil hoje pode ser considerado um problema de saúde pública. “Apesar de não ser algo divulgado, pela morte ser ainda um tabu, o suicídio é algo extremamente comum no Brasil. A gente tem uma morte por suicídio no Brasil a cada 45 minutos, ou seja, é algo muito frequente, no dia a gente tem mais de 30 mortes. Sendo essas mortes muito mais comuns nos homens do que nas mulheres”.

 

Falar sobre suicídio é importante

Caio explica que a incidência da ação e tentativa suicida é alta entre acadêmicos. “Se observamos o público acadêmico, de uma maneira geral, não só os alunos de Medicina, vemos que essa população tem um número muito maior de apresentar uma ação suicida e suicídio completo. Tem estudos nacionais, mostrando que a população médica tem uma taxa de suicídio quatro vezes maior do que a população comum, que é bem significativo. O que mostra a importância da gente conseguir falar sobre o suicídio em si. Com essa cumplicidade, por exemplo do Setembro Amarelo, a gente quebra um pouco desse tabu, e conseguimos começar a falar sobre isso, que é o ponto mais importante para reduzir a ação suicida e a tentativa de suicídio. Um serviço que, por exemplo, atende alunos de Medicina na Faculdade consegue reduzir em até dez vezes a taxa, por isso que é importante verbalizar”.

 

Como ajudar os que precisam

O professor Caio explica que alguns sinais podem ser um pedido de socorro. “Sempre que alguém apresentar esse tipo de comportamento: a pessoa se retrair mais, de repente ela começa a ficar muito desorganizada, verbaliza sentimentos de culpa, começa a se isolar socialmente e fala que enxerga a morte como uma solução, nos demonstra alguns sinais de que esta pessoa está te pedindo auxilio. E aí diante disso é importante a gente estar aberto para primeiro ouvir, acolher essas angústias, e dependendo da situação a gente vai dando os encaminhamentos. Muitas vezes, frente ao relato de ideação suicida, o ideal é que a gente encaminhe essa pessoa para um profissional capacitado, no caso um médico psiquiatra”, finaliza.